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Brasil vai perder o trem digital, Diz Genish

"Me surpreendeu como a Europa avançou e o Brasil está ficando para trás", diz Genish que nomeou Foguel na TIM

As autoridades regulatórias do setor de telecomunicações da União Europeia estão preocupadas em acelerar os processos para que os países do bloco não percam o trem do novo mundo digital que está se desenhando, impulsionado pela quinta geração de serviços móveis (5G). Ao se deslocar rumo às novas tecnologias em marcha lenta, o Brasil tende a chegar à estação de trem com anos de atraso. Isso deverá resultar em perda de competitividade global em diversos setores de produção industrial, e não só de telecomunicações, afirmou Amos Genish, CEO da Telecom Italia, dona da TIM Brasil.

Na Espanha, os blocos de frequência 5G foram leiloados há cerca de uma semana; na Itália, o certame será em setembro. No Brasil, o plano da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) é fazer o edital para venda da frequência só no segundo semestre de 2019. "Talvez [o leilão] ocorra em 2020 ou 2022. Todos os avanços vão acontecer no mundo nesse período, será uma desvantagem enorme para o Brasil", disse Genish.

O executivo falou ao Valor em sua primeira entrevista no Brasil desde que assumiu o comando do grupo italiano, em setembro de 2017. Na Itália, o governo e o regulador querem avançar para a "Gigabit Society", ou economia digital. Na União Europeia, disse Genish, já está claro que o país que não avançar com internet das coisas, robótica, inteligência artificial, realidade virtual e outras tecnologias perderá competitividade global com impactos irreversíveis na economia.

Cofundador da GVT e ex-presidente da Telefônica Brasil, Genish trabalhou na Vivendi, sócia da Telecom Italia, em Londres, antes de ocupar a posição atual. "Me surpreendeu como a Europa avançou e o Brasil está ficando para trás", disse. Sua chegada ao grupo como indicação da Vivendi exigiu habilidade para aplacar a resistência do governo italiano e de outros patriotas que não queriam que a Telecom Italia fosse controlada pelo grupo francês. Seguiu-se um embate entre o novo sócio da companhia italiana, o fundo ativista Elliott, a Vivendi e sócios minoritários. Genish conseguiu negociar com todos, mostrar-se independente e obter apoio geral, mesmo quando o Elliott assumiu o controle societário.

Uma das preocupações agora é pavimentar a Itália com tecnologia para atrair grandes grupos de fabricantes. No futuro, disse ele, o custo Brasil, ou quanto custa para produzir, não será determinante para atrair fábricas, mas sim onde tem infraestrutura e tecnologias para o que se quer produzir. Diante disso, o fato de a China ter mão de obra mais barata, o que, historicamente, tem levado para lá indústrias de todo o mundo, será menos relevante em cinco anos, disse. A automação reduzirá a necessidade de mão de obra e os custos.

Na Europa, os reguladores estabelecem metas claras para os países, disse ele. Na Itália, em 2020, 70% da população deverá ter acesso à banda larga fixa por fibra óptica de 100 megabits. Em 2022, será 100%. "O regulador tem força para colocar as regras e elas serem executadas", afirmou.

Genish sentiu a tenacidade do pulso regulatório quando a Telecom Italia, maior incumbente da Europa, foi forçada a separar dos serviços a sua rede fixa, incluindo a de fibra até a residência (FTTH, na sigla em inglês). A nova empresa tem de oferecer aos concorrentes, com isonomia, seus dutos, transporte e até o trecho final da rede a preços baixos.

"No Brasil, até hoje ninguém forçou as incumbentes a abrirem a rede fixa com equivalência completa. Isso deixa o país para trás, com bastante rede sobreposta onde tem demanda alta. Saindo dessas áreas, não tem rede", disse o executivo. "O Brasil precisa de uma política totalmente nova para reduzir o &39;gap&39; com os Estados Unidos, o Japão e a Coreia."

Com controle firme sobre a TIM Brasil, Genish nomeou, em julho, o brasileiro Sami Foguel, ex- TAP e Azul, para a vaga deixada por Stefano De Angelis. Foguel chega no momento em que a Anatel aprovou novas versões do Plano Geral de Metas de Competição (PGMC). As concessionárias de redes fixas terão de entregar à Anatel os mapas de seus dutos - por onde passam os cabos - e a partir daí criar ofertas baseadas em modelo de custo, sobretudo onde não houver outras alternativas de rede. Apesar do avanço, ainda está muito atrás da Itália. Lá, o governo quer separar a infraestrutura de fibra com o serviço da ultrabanda larga, por meio de uma rede única de fibra (como energia ou gás). Para dar certo, disse Genish, é preciso fibra e 5G. Do contrário, a velocidade com 5G criará um gargalo no núcleo da rede para escoar o tráfego.

Foguel recebe uma empresa que fechou o primeiro semestre de 2018 com receita líquida de R$ 8,3 bilhões, 5,3% maior que um ano antes, e lucro líquido de R$ 585 milhões, uma alta de 66,7%. A receita do grupo Telecom Italia avançou 1,5%, para € 9,5 bilhões no período, alta de 3,7% no lucro líquido, que atingiu € 618 milhões. Na sexta-feira (27), a ação da Telecom Italia teve valorização de 4,99%, cotada a € 0,656 na Bolsa de Milão. Na B3, a ação da TIM Participações recuou 0,71%, para R$ 12,51.

Matéria original
http://www.gsnoticias.com.br/noticia-detalhe/economia-negocios-financas/brasil-vai-perder-trem-digital-diz-genish


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